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sexta-feira, 8 de junho de 2012

O maior, dentre os maiores!

Por Wagner Moribe (@wmoribe)

Nesta semana, noticias da imprensa dão conta de que a volta do capitão à meta tricolor está cada vez mais próxima. Um alivio pra quem, como eu, não consegue confiar plenamente em Denis. Estamos na torcida para que ele volte bem, e não siga o exemplo de Marcos, que pendurou as luvas neste ano.

Como ocorrem nas mais lendárias e fantásticas epopeias, o mundo do futebol adora fazer de seus personagens, deuses, mitos, herois e vilões. São denominações que, de tanto serem repetidas, acabam incorporando-se como parte do senso comum. Uma das principais que temos atualmente, diz respeito a dois ídolos que há anos abrilhantam os gramados brasileiros com sua mistura de talento e amor a camisa: Marcos e Rogério Ceni.

Soa presunçoso até mesmo o tentar provar, através de dados, qualquer tipo de superioridade em um ambiente tão carregado de emoção e subjetividade quanto o do futebol. Quer dizer, nem Zico foi menos que Pelé tão somente porque não fez mil gols, nem Messi há de vencer uma Copa do Mundo com a Argentina se quiser se igualar a Maradona. No entanto, os dados estão aí, e deles é possível se extrair algumas conclusões.

Marcos escreveu as primeiras linhas de sua história no Palmeiras em um momento complicado, em que a responsabilidade de suceder o consagrado Velloso, um dos diversos produtos da fantástica escola de goleiros do Palestra Itália, se somava ao peso de seguir a trajetória de títulos que a “Era Parmalat” havia iniciado no clube no início da década de 90.

E se é nos grandes jogos que se reconhecem os craques, Marcos provou, logo em seus primeiros anos como titular, que tinha estrela, ao fechar o gol e ajudar o Palmeiras a eliminar por duas vezes seu arqui-rival da Taça Libertadores da América. Apenas uma amostra do que estaria por vir. Depois do título continental, Marcos chegou a seleção, disputou e ganhou uma Copa do Mundo na meta da seleção, e não saiu mais da história do clube alvi-verde.

Ao contrário do currículo do goleiro palmeirense, a maior glória dos mais de 20 anos de carreira de Rogério Ceni não foi vestindo a camisa amarela. Ele estava sim presente na Ásia em 2002, na reserva de Marcos, quando o Brasil venceu a Copa pela 5ª vez, mas foi no mesmo continente asiático, 3 anos depois, que Rogério levantaria a taça de um título mundial de clubes, após a mais brilhante partida de sua vida.

O exemplo maior de como se pauta a carreira do capitão são-paulino. Além do título mundial, Rogério ergueu ainda taças continental, nacionais e estaduais, entre outros, sempre no papel de protagonista das esquadras campeãs. Protagonismos que rendem e sempre renderam os mais diversos prêmios individuais ao arqueiro. Ceni é, por exemplo, recordista de indicações à seleção anual do Campeonato Brasileiro, e já conquistou o título de melhor jogador do mesmo torneio.

Pelo clube do Morumbi, o goleiro coleciona marcas, de maior número de jogos, de tempo de casa, de gols na Libertadores, entre tantas outras. O maior mérito de Rogério Ceni porém está acima de números. Como fazem os grandes gênios, ele reinventou a posição em que atua. Proveniente de uma época em que os goleiros se limitavam a defender, Rogério mostrou ao mundo a possibilidade de se jogar futebol com 11 jogadores no time, de fato. Mais do que isso, como se não bastasse sua qualidade debaixo das traves, ele ainda se aventura na busca da maior emoção que o futebol proporciona: o gol.

Dirão os menos afortunados que se trata de uma especulação passional. Aos que torcem e reconhecem o talento de Rogério Ceni, tanto faz. Deixe-se o brilho imenso de Marcos com a seleção nacional para lá, enquanto o capitão são-paulino segue sua trajetória vitoriosa na meta do tricolor. Sorte de quem esteve vivo para ver Rogério Ceni jogar.