As obras do futuro estádio de Itaquera completaram 1 ano nesta semana. Com 40% da arena erguida, fica o questionamento: por onde anda o prometido alvará da Prefeitura para que o São Paulo inicie as SUAS obras no Morumbi? Será que paira um medo de que com o Templo Sagrado pronto antes da Copa, surjam as inevitáveis comparações com o Galinheiro? Lembro-me com clareza do dia em que tive a certeza de que a Copa de 2014 seria realizada no Brasil. Em uma entrevista à Sportv, mais ou menos um mês antes do anúncio oficial, o pomposo presidente da FIFA, Joseph Blatter, cravava um não-traduzido “você tem alguma dúvida disso?”, ao ser questionado sobre a escolha do país como sede do evento, sete anos depois do longínquo 2007. Era uma manhã comum, em que eu e meus companheiros de república assistíamos TV (futebol) à espera das primeiras aulas do dia na faculdade. Entre uma zueirinha e outra, um comentário, meio provocativo, meio contestador, deste que ainda nem pensava em cursar jornalismo à época: “Vai sobrar um estádio pro Corinthians…” O tempo passou, o anuncio se confirmou, e como não podia deixar de ser, São Paulo se mostrava como grande candidata à sede da abertura, visto a definição da final no Rio de Janeiro. Antes descartado, o estádio do Morumbi havia conseguido convencer as autoridades do órgão máximo do futebol no mundo, incluindo seu secretario-geral Jerome Valcke, de que tinha condições de receber a abertura do evento. O projeto, lembro-me, fora inclusive elogiado. Uma eleição conturbada no Clube dos 13, e o apoio do senhor presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio (com quem Ricardo Teixeira nunca havia sido chamado pra tomar um copo de whisky), à reeleição do preterido pela CBF, Fábio Koff. Era o cenário para uma mudança de planos. Soma-se a isso a presença cada vez mais freqüente do presidente corintiano Andres Sanches, aliado de Teixeira na mesma eleição de Koff, nos corredores da CBF, incluindo como chefe da delegação brasileira na Copa da África. De repente, a “zueirinha” já era realidade. O final mais que anunciado de um filme que já havíamos assistido no Pan de 2007, em que as forças políticas e os interesses pessoais passam por cima do que é bom para o público. Os discursos de austeridade, que antes cravavam uma Copa do Mundo sem investimentos públicos em estádios, já mudaram, e ganham corpo a cada dia em que fica mais evidente o atraso na construção das arenas. Não faltam exemplos da enxurrada de dinheiro público para o evento de 2014. Além de bancar todos os empréstimos para o financiamento de construção e reformas de todos os estádios públicos, através do BNDES, a Arena da Baixada, em Curitiba, e o estádio de Itaquera, em São Paulo, serão subsidiados pelos respectivos governos estaduais e municipais. Um relatório do Tribunal de Contas da União mostra que o montante corresponde a 98,5% do total gasto no evento. Um desperdício de dinheiro, ainda mais se compararmos com o custo das obras da África do Sul para 2010. O que cabe a nós torcedores é… torcer. Por alguma luz de consciência que ilumine a cabeça de nossos tão despreparados dirigentes e políticos para que um dia quem sabe, possamos ter nos bastidores a grandeza do futebol que temos dentro de campo.
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sexta-feira, 1 de junho de 2012
Rei de Copas
*** O conteúdo disposto nesta coluna é previsto pela opinião do autor, sem expressão conjunta do site SãoPauloFCBR. Mesmo sem totais condições de concordância do conteúdo, é de extrema importância o respeito pelo mesmo. *** |
Rei de Copas
2012-06-01T16:31:00-03:00
Wagner Moribe








