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segunda-feira, 18 de março de 2013

Time do ‘mimimi’

Por Wagner Moribe (@wmoribe)


 

A moda agora é dar chilique. 

Na última sexta-feira, escrevi aqui, neste mesmo blog, 10 tópicos a respeito do porque o presidente Juvenal Juvêncio deveria manter Ney Franco no comando do Tricolor. Pois bem, analisando os ocorridos do final de semana, percebi que a sua permanência seja talvez, infelizmente, algo insustentável.

Sou do tempo em que todo torcedor são-paulino podia gritar aos quatro cantos que o time, em boa em má fase, tinha uma organização diferenciada. Nada de lenda. O São Paulo sempre teve postura diferente dos outros clubes brasileiros, blindando jogadores e técnicos de criticas e pressões vindas da imprensa e da arquibancada, por exemplo. 

A última semana mostrou que a situação já não é mais a mesma. Críticas públicas, técnico sem apoio da direção e, fundamentalmente, jogador dando chilique por não jogar.

São 5 os principais casos ocorridos recentemente. Por ordem cronológica:

1) Welligton ouviu de Ney Franco que o volante havia falhado em lances capitais em 2013. Talvez falar isso abertamente a imprensa não seja a maneira ideal de mexer com os jogadores, mas fato é que Wellington realmente não vem repetindo neste ano as atuações de 2012. Experimentou o banco por um jogo, e até achei que deu uma melhorada depois disso. Segundo o próprio, houve uma conversa com Ney, em que os pontos foram acertados.

2) PH Ganso saiu bravo do jogo contra a porcada. Eu até entendo que um jogador saia infeliz de um jogo, desde que não se prolongue isso para os dias posteriores. Alem disso, que grande partida é essa que o Ganso disse que estava fazendo contra o Palmeiras? O meia não jogou 10% do que lhe é esperando ainda, e tem que agradecer Ney Franco, que sempre lhe encheu a bola, dizendo que já armava o time com Ganso, mesmo antes deste ser contratado, e que o meia veio para ‘ser titular’. Lembrando que Ganso foi o jogador que mais atuou pelo São Paulo em 2013. Em quantidade, não em qualidade.

3) Lúcio. Um dos 10 melhores zagueiros que vi jogar, o melhor pela Seleção. Algumas dezenas de títulos importantes no currículo do jogador de mais de 34 anos. E não é que Lúcio foi outro que resolveu dar piti durante e depois do jogo contra o Arsenal, como se fora um moleque? Preferiu ir pro ônibus ao invés de ver o desfecho do jogo? Que tipo de espírito coletivo é esse, de um jogador que ainda espera ser chamado por Felipão? Alguma pane mental no zagueiro, que já havia posto a perder o jogo contra a porcada.  De todos os casos, é o único em que eu ainda espero uma desculpa pública ao São Paulo, à torcida e à Ney Franco...

4) Luis Fabiano. Não ficou claro com o que exatamente Fabuloso está bravo e chateado. Mas é fato que andam falando demais dele. Como eu disse na sexta, é verdade que andou perdendo uns gols como eu nunca tinha visto antes ele perder. Mas seus números não são de alguém em crise em 2013. São 8 gols em 12 jogos, o que dá uma média de 0,67 gols por jogo, menor apenas que Guerrero e Forlan – este último só joga o Gauchão, mas maior que Fred, Damião, Pato, Barcos, e tantos outros. E isso tudo com cartões e os tais problemas pessoais. E quem conhece Luis Fabiano sabe que o atacante é sensível à criticas. Por isso, deixa o homem jogar...

5) Denílson. A briga da tarde foi do volante com a torcida. É verdade que o volante é outro que não repete as boas atuações de 2012, e merece ser criticado por tal. Mas deve-se saber como e quando fazer. No caso, faltou inteligência da torcida e mais ainda de Denílson, que resolveu responder. A resposta do jogador deve ser em campo, e isso vale para todos.


Em meio a esse turbilhão de intriguinhas que o São Paulo terá que arrumar forças para seguir.  Sou totalmente a favor da permanência de Ney Franco no cargo, mas tenho dúvidas de que ele já não tenha perdido o grupo, diante de tanto mimimi de jogador.

É preciso uma reunião entre todos, afim de se saber o que querem para o futuro. Se trabalharão em conjunto, em prol do São Paulo, ou se cada um nadará para um lado.
É preciso intervenção da diretoria, blindando Ney Franco e o poupando de ser o único alvo da torcida.
É preciso auxilio das principais figuras do elenco, para dar a cara a bater também.
É preciso mais inteligência e paciência da torcida.
E por fim, e mais importante, é preciso mais futebol dos jogadores.