Já são quase oito anos de mandato. Quatro títulos, três
Campeonatos Brasileiros e uma Copa Sulamericana. Um técnico pior que o outro. Reformulação
atrás de reformulação. Procuras quase eternas por centroavante, camisa 10 e lateral-direito.
Apostas inexplicáveis, como no quase ex-jogador Rivaldo depois de um jogo
contra o Mogi Mirim na qual ele se quer atuou, no enfermo Fabricio ou no
fenomenal Willian José. Dispensas ainda mais inacreditáveis, como Jean,
Rhodolfo e Arouca, por exemplo. Demissões politicas no nosso desde sempre
conceituado staff técnico, como ocorreu com Carlinhos Neves, Turibio Leite e
Rosan. Desavenças, que, justas ou não, nos fizeram perder a sede paulista da
Copa 2014, o aluguel do Morumbi para o time de Itaquera, prestigio junto as
máfias que comandam TV Globo, CBF e Federação Paulista de Futebol; e, acima de
tudo, o cargo de time mais diferenciado do Brasil.
Se contarmos que o time tricampeão brasileiro teve a base
montada na gestão do memorável Marcelo Portugal Gouvêia, o saldo do tricampeão
das eleições no São Paulo FC fica ainda mais negativo.
De positivo, o aumento nas receitas do estádio com shows,
investimentos em Cotia e mais pouca coisa. Muito pouco.
Para amenizar o prejuízo gerado na última década, o presidente
Juvenal Juvêncio ainda tinha uma carta na manga. Um projeto aparentemente
sério, elaborado ao longo dos últimos dois anos e meio em conjunto com a
construtora Andrade Gutierrez: a reforma do Morumbi. Uma ideia ambiciosa que,
ao que se parece, não nos deixaria ficar atrás de nossos arquirrivais, que em
2014 inaugurarão novas arenas.
Mas eis que de repente, um personagem, omisso nas últimas
eleições que consagraram o feudo de JJ, decidiu aparecer: a Oposição. No papel
certo, do jeito errado. É fato que o movimento em algo tão grandioso quanto a
reforma de nosso maior patrimônio físico merece fiscalização de perto. O
problema é a má vontade em fazer o processo dar certo, motivada pelo jogo
politico que anda tomando conta do nosso Tricolor.
Acompanho futebol há mais de 20 anos, e me lembro do São
Paulo ser aclamado por ter uma oposição ativa, enquanto que os nossos
adversários penavam sob impérios de Dualib, Mustafá, Marcelo Teixeira, Eurico
Miranda e Família Perrela, só para citar alguns.
Desde 2006 porém, ela andava adormecida, fruto da habilidade
politica de nosso atual e ainda presidente. Ao acordar, se deparou com um
Juvenal com bases muito bem fixadas no poder, que lhe garantem inclusive a
eleição de seu sucessor em abril. Resultado: desespero dos opositores, e
ataques e declarações no mais baixo nível, disparados dos dois lados, que nos
remetem aos mais enfadonhos debates entre politicos que costumam acontecer no
nosso Congresso Nacional.
A Andrade Gutierrez se assustou, e já pulou fora. Nossos
adversários riem a toa. E o São Paulo segue afundando...









