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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A última herança de Juvenal Juvêncio

Por Wagner Moribe (@wmoribe)

Já são quase oito anos de mandato. Quatro títulos, três Campeonatos Brasileiros e uma Copa Sulamericana. Um técnico pior que o outro. Reformulação atrás de reformulação. Procuras quase eternas por centroavante, camisa 10 e lateral-direito. Apostas inexplicáveis, como no quase ex-jogador Rivaldo depois de um jogo contra o Mogi Mirim na qual ele se quer atuou, no enfermo Fabricio ou no fenomenal Willian José. Dispensas ainda mais inacreditáveis, como Jean, Rhodolfo e Arouca, por exemplo. Demissões politicas no nosso desde sempre conceituado staff técnico, como ocorreu com Carlinhos Neves, Turibio Leite e Rosan. Desavenças, que, justas ou não, nos fizeram perder a sede paulista da Copa 2014, o aluguel do Morumbi para o time de Itaquera, prestigio junto as máfias que comandam TV Globo, CBF e Federação Paulista de Futebol; e, acima de tudo, o cargo de time mais diferenciado do Brasil.
Se contarmos que o time tricampeão brasileiro teve a base montada na gestão do memorável Marcelo Portugal Gouvêia, o saldo do tricampeão das eleições no São Paulo FC fica ainda mais negativo.
De positivo, o aumento nas receitas do estádio com shows, investimentos em Cotia e mais pouca coisa. Muito pouco.
Para amenizar o prejuízo gerado na última década, o presidente Juvenal Juvêncio ainda tinha uma carta na manga. Um projeto aparentemente sério, elaborado ao longo dos últimos dois anos e meio em conjunto com a construtora Andrade Gutierrez: a reforma do Morumbi. Uma ideia ambiciosa que, ao que se parece, não nos deixaria ficar atrás de nossos arquirrivais, que em 2014 inaugurarão novas arenas.
Mas eis que de repente, um personagem, omisso nas últimas eleições que consagraram o feudo de JJ, decidiu aparecer: a Oposição. No papel certo, do jeito errado. É fato que o movimento em algo tão grandioso quanto a reforma de nosso maior patrimônio físico merece fiscalização de perto. O problema é a má vontade em fazer o processo dar certo, motivada pelo jogo politico que anda tomando conta do nosso Tricolor.
Acompanho futebol há mais de 20 anos, e me lembro do São Paulo ser aclamado por ter uma oposição ativa, enquanto que os nossos adversários penavam sob impérios de Dualib, Mustafá, Marcelo Teixeira, Eurico Miranda e Família Perrela, só para citar alguns.
Desde 2006 porém, ela andava adormecida, fruto da habilidade politica de nosso atual e ainda presidente. Ao acordar, se deparou com um Juvenal com bases muito bem fixadas no poder, que lhe garantem inclusive a eleição de seu sucessor em abril. Resultado: desespero dos opositores, e ataques e declarações no mais baixo nível, disparados dos dois lados, que nos remetem aos mais enfadonhos debates entre politicos que costumam acontecer no nosso Congresso Nacional.
A Andrade Gutierrez se assustou, e já pulou fora. Nossos adversários riem a toa. E o São Paulo segue afundando...