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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Eu vi Rogério jogar...

Por Wagner Moribe (@wmoribe)

Certa vez, em meio a uma fila de espera para uma consulta com o dentista, me peguei no desafio, daqueles que só maior dos ócios nos proporciona, de calcular quantos jogos do São Paulo eu já tinha assistido no estádio nestes pouco menos de 27 anos de vida. De clássicos contra porcos e gambás à uma longínqua partida contra os juniores do Volta Redonda, cheguei a conclusão de que qualquer palpite seria impreciso. A cada conta fechada, uma nova lembrança, daquele jogo contra o Bayer Leverkusen, válido pelo grande torneio Euroamérica de 1999, ou daquele outro contra o Bragantino em 1998, em que estive presente junto com outros menos de 2 mil torcedores no Morumbi. Conta difícil, pra não dizer impossível.

A lembrança deste exercício me veio a tona neste domingo, quando fui acompanhar a goleada do Tricolor contra o Flamengo. Flamengo, a mesma vítima da primeira vez em que fui ao Templo Sagrado. O ano era 1993 e daquela vez, lembro-me, jogo difícil, só decidido após a entrada de Juninho, ainda sem o “Paulista”, que resultaria em um 2x0 – gols de Muller e Palhinha – sobre o time do ainda atacante Renato Gaúcho, que recordo achar que era japonês, devido a faixa de ‘samurai’ na cabeça. Doce dia.

Em comparação com a partida deste último domingo, nem tantas diferenças, apesar dos 19 anos de separação entre os jogos e do abismo de qualidade entre o time de Telê e o atual. O Flamengo também já não conta com tantas feras como Renato, Casagrande e Junior Baiano. Apesar disso, tal como a criança que com 7 anos delirou, a goleada de domingo me emocionou. Nem tanto pela atuação do time – em especial Luis Fabiano – nem tanto pelo placar. A vitória no Morumbi teve nome e sobrenome: Rogério Ceni.

A volta do maior ídolo que fiz pelo futebol, por um instante me fez esquecer a empáfia de Juvenal e a grosseria do Willian José. Só um jogador como o M1to para levar mais de 33 mil são-paulinos para um jogo pós-derrota para o lanterna Atlético Goianiense. Já em casa depois do jogo, achei um outro exercício, bem mais fácil e prazeroso de se fazer do que contar idas ao estádio. Os jogos mais inesquecíveis que vi ao vivo.

Rapidamente, listei o jogo de domingo com as partidas contra o Rosário Central, válido pela Libertadores de 2004 e contra o Atlético Mineiro pelo Brasileirão do ano passado. Em comum, o mesmo personagem protagonista. Fosse por seu desempenho na disputa de pênaltis, pelo seu 1000º jogo com a camisa Tricolor, ou pelo seu retorno aos gramados depois de quase 8 meses sem jogar, é incrível como Rogério Ceni faz bem para o time que resolvi amar. Que assim seja enquanto o Capitão agüentar. Sorte de quem viu e vê Rogério Ceni brilhar...