Prezados Tricolores,
Boa Tarde!
Na última sexta feira (07) tive o prazer em entrevistar o Dr. Marco Aurélio Cunha, para entender um pouco sobre a oposição tricolor e também saber o que pensam da atual fase do nosso time.
Esta oportunidade foi conseguida pelo administrador do blog (Luan Grofoski) e se tornou muito gratificante para mim e, acredito, a todos os colunistas e leitores do blog.
O Dr. Marco Aurélio foi muito simpático, no entanto, não se ateve as perguntas formuladas, transitou por todos os assuntos como se fosse um bate papo informal, mostrou fotos de quando criança, provando que sempre foi São Paulino, bem como, mostrando presentes e títulos que possuem lugar cativos em seu bonito consultório.
A todo momento disse que respeita a atual gestão, porém são dissidentes, já que muita coisa tem que ser mudada.
A conversa durou mais de uma hora, a transcreverei integralmente, dividindo em vários posts, e, quando possível, postarei o vídeo do "bate-papo".
Estamos tentando, o mais breve possível, uma entrevista com a situação.
Segue a primeira parte da conversa.
Entrevista Dr. Marco Aurélio Cunha - Parte I
Um bate papo informal com o homem forte da oposição Tricolor.
Dr. Marco Aurélio: Você conhece minha história no São Paulo?
SãoPauloFCBR: Conheço uma parte…
Dr. Marco Aurélio: Só a mais recente?
SãoPauloFCBR: Conheço da recente e um pouco antes não muito. Estamos aqui até para entender até a parte hoje da situação vindo para a oposição.
Dr. Marco Aurélio: Eu não fiz oposição, somos dissidentes, dissidentes de ideias que estão erradas. Não tenho nada contra o Juvenal, contra o Carlos Miguel, ele é meu amigo. Está sempre aqui, vem aqui, traz a filha para examinar. Não temos divergências pessoais, temos divergências de clube. Eu deixo muito claro isso, mas o que as pessoas não percebem que discordar é democrático e é necessário.
SãoPauloFCBR: É saudável?
Dr. Marco Aurélio: É, você discorda você vira inimigo lá, a forma como juvenal tem conduzido a sua vida neste último mandato, o que não é bom. A gente tem que ser companheiros, discordar faz parte, do processo legítimo. Mas eles entendem isso como afronta. Então acabou, se as coisas forem nesse nível, então não dá mais para gente ficar perto, e foi o que aconteceu. Entendi que era hora de sair. Fique dois anos e meio fora. Ajudei na forma como pude. Indo algumas vezes, colaborando com o alvará da cobertura. Fiz tudo que pude para o São Paulo. Nunca me chamaram para uma reunião, para uma conversa, para nada! Aí veio a questão de mandar embora o Rosan e mais não sei quem. Ai eu falei - você sabe, não dá mais para suportar - me desculpe, mas eu estou fora desse contexto, não posso estar aqui e apoiar que mandem embora o Rosan e façam o que estão fazendo.
SãoPauloFCBR: Não teve uma motivação para mandarem embora o Rosan?
Dr. Marco Aurélio: Não, foi atrito pessoal do Adalberto.
(Nesse momento ele mostra algumas fotos pessoais em seu celular da vida dele no São Paulo, inclusive ele com 8 anos ao lado da maquete do Morumbi; mostra também ele na foto oficial do título paulista de 1980, como médico da base que ajudava no profissional).
Dr. Marco Aurélio: Em 1977 era estagiário do São Paulo, quando foi campeão brasileiro, era estagiário. Em 1979 fui contratado. Sai em 90 quando o Juvenal perdeu a eleição e me mandaram embora por razões políticas, que eu era casado com a filha dele.
SãoPauloFCBR: Nessa época veio o Del Rey ou Pimenta?
Dr. Marco Aurélio: Veio, veio o Pimenta. Eu fui para o Bragantino e para o Guarani. Grande time. Com Edilson, Luizão, Amoroso. Depois, eu fui para a Parmalat, eu era médico consultor da Parmalat do Palmeiras, em 1994. Daí fui para o Japão trabalhar, 94 com consultoria e 95 para o Reysol. Que o Jorge Wagner jogou recentemente, Careca, Silas, França, Bentinho, Caio, muitos jogadores. Depois, eu fui para o Verdy Cawasaqui, em 96 e depois eu vim pro Coritiba para ser gestor. Foi o primeiro clube do J. Malucelli, meu amigo, meu paciente aqui do consultório, me convidou, ‘a hora que eu for presidente você vai dirigir o clube para mim’, me chamou, eu fui. Estava o Japão com o Sergio, um grande empresário, foi lá na missão com o Fernando Henrique, que me procurou e falou: ‘quer voltar?’, eu respondi: 'para falar a verdade eu não estou muito afim de voltar'. Ele falou: ‘pensa bem’. Eu já estava há quase dois anos lá, e precisava um pouco para tomar de novo conta da minha vida no Brasil. Ai eu vim, fiquei no Coritiba, fiquei só no Campeonato Brasileiro e o Santos me contratou, 97/98. Em 99, eu saí e fui para o Figueirense que era zero. Ai fizeram a estrutura inteira e o Figueirense está aí. Aí eu saí do Figueirense.
SãoPauloFCBR: Na época, só tinha o Criciúma, mas quase não existia ‘Santa Catarina’?
Dr. Marco Aurélio: Só. Modéstia parte, o futebol profissional só começou após minha passagem por lá. Profissional no sentido profissional; houve grandes times campeões como o Joinville, Criciúma com o Felipão, mas a organização, a importância, a gente começou a falar de forma diferente, foi difícil, mas eles aceitaram. Saí do Figueirense, voltei para São Paulo, minha vida tava… Precisava arrumar minha parte médica e o Avaí me convidou e eu recusei na hora, por ser o rival imediato. Eu esperei passar um pouco a quarentena. Aí o Zunino, grande amigo, foi presidente do Avaí nos últimos 8 anos e me convidou para organizar o Avaí. Aí eu fui e dei uma arrumada pro Zunino. Aí o Marcelo ganhou a eleição, em 2002 e me trouxe para o São Paulo e eu fiquei mais nove anos no São Paulo. Saí em 2010, organizamos tudo de novo, REFFIS, departamento médico, infra-estrutura administrativa, tudo, tudo, comissão técnica permanente.
SãoPauloFCBR: E o REFFIS virou o que virou…
Dr. Marco Aurélio: Isso, o Adalberto vendou a marca. Disso começou nosso atrito. E é isso.
SãoPauloFCBR: Depois você virou vereador em 2010?
Dr. Marco Aurélio: Virei vereador em 2008, alguns dizem que eu saí do São Paulo porque eu virei vereador, não, não, porque eu fiquei dois anos.
SãoPauloFCBR: Um dos nosso questionamentos é exatamente sobre isso.
Dr. Marco Aurélio: Eu fiquei dois anos lá, eu não saí porque era vereador, eu saí porque estava errado, e usei esse argumento de cuidar mais da minha vida política. Eu não estou conseguindo fazer no São Paulo o que eu gostaria e evidentemente eu vou fazer melhor a vereança como fiz de fato. Tanto que fui reeleito com mais de 40 mil votos.
SãoPauloFCBR: Nós do blog SãoPauloFCBR.net até conversamos sobre isso, sobre se a chapa da oposição realmente assumisse o São Paulo, isso iria atrapalhar muito seu cargo de vereador?
Dr. Marco Aurélio: Se eu disser que não atrapalha é mentira, mas dá para conciliar, porque antes eu era funcionário fazia horários regulares. Tinha que trabalhar, viajar, e isso vou continuar fazendo, mas agora com delegação de poder. O importante é você criar uma filosofia de trabalho, você não precisa estar ali, de sol a sol, eu posso muito bem organizar aquilo e obviamente ter uma linha de conduta estratégica, independente da minha presença lá constante, até acho que a presença constante de dirigente inibe e atrapalha. Você tem que estar ali no momento certo.
Continua...
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Em breve traremos mais desse bate papo com Marco Aurélio Cunha.
Lembrando que o vídeo está em fase de edição.
Até Mais Tricolores!








