Ganso é volante! Ou, no máximo, 3º homem de meio-campo.
Dia desses, o jornalista da ESPN, Mauro Cézar Pereira escreveu sobre isso em seu blog. Que Ganso poderia ser o nosso ‘volante-armador’, no melhor estilo Gerrard, do líder do Campeonato Inglês Liverpool; ou Pirlo, da líder do Italiano Juventus. O colunista ainda cita Modric do Real Madrid e Schweinsteiger no Bayern, mas aí já acho que as características diferem um pouco das de Ganso.
De qualquer forma, a percepção de Mauro Cézar foi uma das coisas mais lúcidas e inovadoras que li/ouvi nos últimos tempos, diante desta imprensa esportiva tomada por tantos desqualificados.
Ao meu ver, a melhor tentativa de solucionar o problema que Ganso começa a criar no São Paulo, em função de sua escalação quase obrigatória, motivada pelos milhões gastos por Juvenal na contratação do meia. Os maus resultados e a apatia do time são como o fogo que queima o pavio de paciência da torcida para com Ganso.
Quem viu qualquer meia-hora de jogos do Tricolor em 2014, percebe: trata-se de um time inerte e previsível que, depois de várias experiências no ataque, atualmente vive de uma jogada individual de Osvaldo na ponta-esquerda, de um ou dois chutes de Pabon de fora da área, ou de um passe mágico de Ganso para Luis Fabiano fazer gol. MUITO POUCO. Nosso centroavante vive isolado na área. Ninguem penetra para fazer uma tabela. Na verdade, nenhum outro jogador do time sequer entra na área, seja o ponta Osvaldo, o kicker Pabon, o lento Maicon ou Ganso.
Muricy e tantos outros insistem: Ganso tem que entrar mais na área. Ser Raí, Rivaldo ou Alex. Eu mesmo concordava com isso, até a coluna de Mauro Cézar.
Mas a verdade é que Ganso não é camisa 10. É o homem do passe, da cadência, da armação. Se é difícil torná-lo um Gerrard ou um Pirlo tupiniquim, sejamos mais simples. Ganso pode ser um ótimo segundo volante com saída de jogo, alá Renato(ex-Santos) ou Hernanes, ex-São Paulo; ou então um excelente 3º homem de meio-campo/articulador, como o tetracampeão mundial Zinho ou o penta Ricardinho.
Nesta configuração, o São Paulo teoricamente precisaria de um camisa 10, de fato. Ironia, no estilo Jadson. Cañete, Lucas Evangelista e Boschilla são as opções do elenco, mas parecem não convencer Muricy.
Assim sendo, as opções seriam contratar um meia, o que é muito difícil de se encontrar no mercado, ou adotar um esquema sem armador fixo. O São Paulo campeão brasileiro de 2007 jogava assim. Richarlysson e Hernanes davam o suporte, e o time atacava com Dagoberto e Leandro flutuando ao redor de Aloisio Chulapa. Os alas Ilsinho (depois Souza) e Jorge Wagner (ou Júnior) eram fundamentais nesse processo de armação. Os 3 excelentes zagueiros – entre Breno, Miranda, Alex Silva e André Dias - davam a proteção necessária para o esquema. Chega a ser cruel a comparação dos elencos disponíveis hoje e em 2007. Mas numa adaptação para a atual realidade, o São Paulo poderia muito bem começar o Brasileirão jogando com
Ceni; Paulo Miranda (depois Rafael Toloi), Rodrigo Caio e Antonio Carlos; Douglas, Souza, Ganso e A.Pereira; Osvaldo, Pato e Luis Fabiano. Com Osvaldo e Pato não se limitando a apenas uma das duas pontas.
A melhor fase de Rodrigo Caio no São Paulo foi como zagueiro de sobra, no segundo semestre do ano passado. E neste caso, também seria a favor da contratação de um zagueiro. Porque não André Dias, que fica sem contrato na Lazio em julho?
Muricy está perdido. Prova disso é que vamos com Ganso na direita nesta quarta-feira. Que os deuses da bola nos ajudem...









